PARQUE DE LOCOMOTIVAS ELÉTRICAS DA CP (Breve Historial)

BREVE HISTORIAL DO PARQUE DE LOCOMOTIVAS ELÉTRICAS DA CP

A CP procedeu à exploração de comboios em tracção elétrica bastante tarde em relação às suas congéneres europeias que começaram essa exploração, logo no início do século XX. Sendo assim, começou na segunda metade do século XX a eletrificar as suas principais linhas, começando na zona de Lisboa (Linhas de Sintra e Cintura) e seguindo até ao Porto, naquela que é a principal linha ferroviária do país, ou seja a Linha do Norte. No entanto, esta tardia eletrificação, permitiu à CP escolher o melhor sistema em uso na Europa e no mundo (a nossa eletrificação deriva diretamente do sistema usado pela francesa SNCF em corrente monofásica, sendo uma cópia perfeita) e que é a eletrificação em corrente industrial ou monofásica com a tensão de 25V 50Hz na catenária, não tendo assim se tomado a decisão de eletrificar no sistema mais antigo e especialmente mais dispendioso e com uma armação muto mais pesada como é a exploração em corrente contínua em relação à corrente alternada, que é sempre mais ligeira. Lembre-se que a Linha de Cascais foi eletrificada nos primeiros anos do século XX em corrente contínua e que era então comum usar-se nos outros países europeus.

Ao contrário do que se verificou no seu parque de locomotivas térmicas, onde havia dois grupos distintos, a saber, locomotivas de linha (as mais importantes) e locomotivas para manobras (corretamente Locotractores), nunca a CP teve no seu parque locotractores elétricos, só existiram locomotivas de linha e essas só circularam na via larga, pois a via estreita em Portugal nunca foi eletrificada. Para memória, recordamos que as sete séries de locomotivas elétricas foram todas de construção nova, exceto as três locomotivas da Série 3300 *, que a CP recebeu já usadas, aquando da extinção e consequente integração do material circulante da Sociedade Estoril na operadora ferroviária nacional no início de 1977 e que operavam como já referido em corrente contínua e na tensão de 1500 V cc.

  • As locomotivas L301, L302 e L303 mantiveram sempre esta numeração e nunca tiveram na CP numeração UIC atribuída e inscrita na lateral da caixa, apenas nos serviços informáticos da CP essa numeração estava atribuída e era 90 94 0 133301 a 3303, para as L301 a L303, daí optarmos pela sua inclusão em baixo.

Locomotivas Elétricas de Linha de Via Larga

Série 2500

Primeira série a entrar ao serviço na CP, com esta mesma série se inaugurou a eletrificação na tensão de 25kV 5Hz ac, na Linha do Norte em 1956 em comboio especial entre Lisboa e o Carregado. Encomendadas pela CP ao consórcio Groupement d’Étude et d’Electrfication de Chemins de Fer en Monophasé 50 Hz, que as fez construir por uma casa francesa integrante do mesmo consórcio, a Schneider Westinghouse e chegaram a Portugal vindas de França em 1956 e 1957, tinham uma potência de 2053 kW, eram de tipo Bo’Bo’ e alcançavam os 120 km. Fizeram no início da carreira os serviços mais nobres entre Lisboa e o Porto, mas terminaram a sua vida útil de mais de 60 anos, fazendo comboios de mercadorias, tendo sido substituídas pela nova série 4700 em 2009. Na gíria do pessoal ferroviário e dos railfans, eram apelidadas de “Barras de Sabão”.

Série 2550

Segunda série a entrar ao serviço na CP, eram completamente iguais às da série 2500, apenas havendo uma diferença substancial, ou seja a sua caixa era totalmente em aço inox, concebida pela engenharia da SOEFAME e que vingou, que lhes valeu o feito e a fama de serem as primeiras no mundo a ostentar esta arquitetura arrojada, ao contrário do que foi sempre e é habitual fazer-se, pois todas as outras séries da CP possuem caixa em aço macio. Encomendadas pela CP ao mesmo consórcio Groupement d’Étude et d’Electrfication de Chemins de Fer en Monophasé 50 Hz, que as mandou construir em Portugal, por intermédio da SOREFAME sob licença, na sua fábrica da Amadora, que as entregou à CP em 1963 e 1964, tinham uma potência de 2053 kW, eram de tipo Bo’Bo’ e alcançavam os 120 km. Fizeram no início da carreira os serviços mais nobres entre Lisboa e o Porto, mas terminaram a sua vida útil de mais de 55 anos, fazendo comboios de mercadorias, tendo sido substituídas pela nova série 4700 em 2009. A locomotiva primeira da série, a 2551, foi preservada e está no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento. Na gíria do pessoal ferroviário e dos railfans, eram apelidadas de “Caixas de Seringas”.

Série 2600

Esta terceira série a entrar ao serviço na CP, é ainda hoje a série mais icônica e mais emblemática de todas as locomotivas que a CP já teve e compreendendo todos tipos de tração. Possui um design criado por Paul Arzens, que foi o autor das mais belas locomotivas construídas em França, como as 6500, 7200, 15000, 21000 e 22200, que deram à SNCF enorme prestígio mundial. Encomendadas pela CP ao mesmo consórcio Groupement d’Étude et d’Electrfication de Chemins de Fer en Monophasé 50 Hz, que as mandou construir em França, por intermédio da ALSTHOM, na sua mítica fábrica de Belfort que as entregou à CP em 1974/75, no mês da Revolução de 25 de Abril. Realmente estas locomotivas com uma livery soberba, eram e são ainda hoje um símbolo de velocidade e de modernidade, desenvolvem uma potência de 2870 kW, eram de tipo B’B’ e alcançavam os 160 km. Fizeram no início da carreira os serviços mais nobres entre Lisboa e o Porto com os Rápidos Alfa, assim como o Sud Expresso, mas terminaram precocemente a sua vida útil de mais de 40 anos, fazendo comboios de mercadorias. Depois de mais de uma década de estarem paradas no Entroncamento, a CP está novamente a reabilitar a série para o serviço ativo. A locomotiva 2611 está prometida para integrar proximamente a coleção do Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, pelo facto de ser uma locomotiva histórica, pois coube-lhe fazer em 15 de Maio de 1982 um comboio especial entre Lisboa e o Porto, com uma breve paragem em Coimbra, levando a bordo o passageiro mais ilustre que a CP já transportou em toda a sua história, ou seja, Sua Santidade o Papa João Paulo II. Na gíria do pessoal ferroviário e dos railfans, são apelidadas de “nez cassés”.

Série 3300 *

Quarta série a entrar ao serviço na CP no início de 1977, eram da Sociedade Estoril e foram integradas na CP aquando da extinção e incorporação da mesma sociedade na operadora ferroviária estatal, onde por muito pouco tempo operaram e como já percebido, só podiam circular na Linha de Cascais, pois continua a ser a única linha do país a estar eletrificada em corrente contínua na tensão de 1,5 kV cc. Encomendada pela SE à casa britânica NORTH BRITISH, esta locomotiva chegou a Portugal em 1948, tinha uma potência de 680 kW, era de tipo Bo’Bo’ e alcançava os 90 km. Fizeram todo  tipo de serviços, passageiros, mercadorias, reboque de automotoras para as oficinas e manobras. Esta L301 (3301) foi preservada e está no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento. Na gíria do pessoal ferroviário e dos railfans, foi apelidada de “Amália”.

Quarta série a entrar ao serviço na CP no início de 1977 , eram da Sociedade Estoril e foram integradas na CP aquando da extinção e incorporação da mesma sociedade na operadora ferroviária estatal, onde por muito pouco tempo operaram e como já percebido, só podiam circular na Linha de Cascais, pois continua a ser a única linha do país a estar eletrificada em corrente contínua na tensão de 1,5 kV cc. Encomendadas pela SE à casa alemã AEG, estas duas locomotivas chegaram a Portugal em 1924, tinham uma potência de 680 kW, eram de tipo Bo’Bo’ e alcançavam os 90 km. Fizeram todo  tipo de serviços, passageiros, mercadorias, reboque de automotoras para as oficinas e manobras. Ambas as locomotivas L302 e L303 (3302 e 3303) foram preservadas e estão no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento.

Série 2620

Esta quinta série a entrar ao serviço na CP, é a par das irmãs da série 2600, ainda hoje a série mais icônica e mais emblemática de todas as locomotivas que a CP já teve e compreendendo todos tipos de tração. Possui um design criado por Paul Arzens, que foi o autor das mais belas locomotivas construídas em França, como as 6500, 7200, 15000, 21000 e 22200, que deram à SNCF enorme prestígio mundial. Encomendadas pela CP à ALSTHOM que as mandou construir em Portugal, por intermédio da SOREFAME sob licença, na sua fábrica da Amadora que as entregou à CP entre 1987 e 1989. Realmente estas locomotivas com uma livery soberba, eram e são ainda hoje um símbolo de velocidade e de modernidade, e fruto do excelente desempenho da primitiva série 2600 a CP encomendou mais estas 9 locomotivas que desenvolvem uma potência de 2880 kW, eram de tipo B’B’ e alcançavam os 160 km. Esta série é mais potente que a série 2600, pelo facto de poder alimentar eletricamente através da “Linha do Comboio”, um comboio com 14 carruagens dotadas com ar condicionado, ao contrário da série 2600, que está limitada só a 7 carruagens. Fizeram no início da carreira os serviços mais nobres entre Lisboa e o Porto com os Rápidos Alfa, assim como Sud Expresso, mas terminaram precocemente a sua vida útil de mais de 40 anos, fazendo comboios de mercadorias. Depois de mais de uma década de estarem paradas no Entroncamento, a CP está novamente a reabilitar a série para o serviço ativo. Na gíria do pessoal ferroviário e dos railfans, são apelidadas de “nez cassés”.

Série 5600

Sexta série a entrar ao serviço na CP, é a mais potente e a que mais velocidade pode alcançar em todo o parque da CP, trata-se de uma locomotiva universal. Encomendadas pela CP à SIEMENS que as mandou construir em Portugal, por intermédio da SOREFAME sob licença, na sua fábrica da Amadora que as entregou à CP entre 1993 e 1995. Realmente estas locomotivas foram construídas em Portugal, com exceção de 3 que o foram em Munique, na Alemanha. Desenvolvem uma potência de 5600 kW, são de tipo Bo’Bo’ e alcançam os 220 km. Fizeram no início da carreira e fazem hoje os serviços mais nobres entre Lisboa e o Porto com os comboios Intercity, também noutras linhas do país, assim como o Sud Express. Das 30 unidades construídas, 2 foram perdidas em acidentes e 4 estão em serviço na MEDWAY, através de contrato de leasing.

Série 4700

Sétima e última série a entrar ao serviço na CP, tem uma vocação muito especial, embora o possam fazer (comboios de passageiros), estão apenas afectas a fazerem comboios de mercadorias.. Encomendadas pela CP à SIEMENS que as mandou construir em Portugal, por intermédio da EMEF sob licença, no Entroncamento e que as entregou à CP a partir de 2007 e até 2009. Realmente estas locomotivas foram construídas em Portugal, com exceção de 3 que o foram em Munique, na Alemanha. Desenvolvem uma potência de 4700 kW, são de tipo Bo’Bo’ e alcançam os 140 km/h. Das 25 unidades construídas, já nenhuma está ao serviço, pois foram todas adquiridas em segunda mão pela MEDWAY, aquando da privatização da CP Carga.

Conceção do Departamento de Estudos da LUISFER

Desenhos das locomotivas – Agradecimento e cortesia de Eugénio Santos

 

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